27 de fev de 2012

Não briga comigo que eu tô doente



Minha conta de luz veio altíssima esse mês, então, conversamos (marido e eu) e decidimos tomar alguns cuidados para ver se diminuímos esse valor.  Em paralelo a tudo isso, marido tá doente, gripado com garganta e ouvido inflamados, peito roncando e com um dengo sem tamanho.
Sábado tava fazendo o almoço e ele lá no quarto, então ele saiu foi pra sala e a luz do quarto ligada, quando reclamei com ele, para ele apagar a luz... ele fez um cofcof muito do mixuruca,cara de sofrimento extremo e fez um biquinho e disse: Não briga comigo que eu tô doente!!!
E a pergunta que me faço é: será que meu futuro filho será menos dramático que o pai?

17 de fev de 2012

Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você...


                  Para dizer a verdade, sou alguém que não é muito fã de carnaval, não sou chegada a axé e suas letras que dizem nada com coisa alguma, não sei sambar e muito menos dançar frevo (o que poderia ser bem legal, afinal, não existe dançarina de frevo gorda e eu to precisando me livrar de umas gordurinhas).

         Mas uma coisa interessante que aconteceu comigo depois de me afastar de Pernambuco é sentir saudade de coisas que antes eram triviais, habituas e até ignoradas por mim. É como sentir falta de algo que nunca aproveitei, chego a sentir culpa por não ter admirado a cultura em sua forma pura e até pungente. 

               Parafraseando Euclides da Cunha em Os sertões: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte... e Pernambuco, é antes de tudo cultura”.

Em minha cidade natal, o carnaval é a festa dos bichos por assim dizer: blocos troças e desfiles alegóricos recebem em sua grande maioria o nomes destes, como: A girrafa, O coelho, O leão, O camelo, O urso branco, O galo do cajá etc. As lembranças que tenho do carnaval, são de quando ainda era criança e meu pai me levava para ver os carros alegóricos, e minha tia me levava, no sábado de Zé Pereira, para ver o bloco do Etesão e Etesuda, onde uma multidão vai atrás de uma orquestra de frevo e de um ET gigante (igual ao do filme de Spielberg) e de sua namorada uma ET gigante e loira. Ainda, me lembro bem do ingá doce e das pitombas azedinhas vendidas no carnaval.

 

            O carnaval pernambucano é totalmente cultural, o galo da madrugada que arrasta uma verdadeira multidão pelo centro de Recife. Os bonecos gigantes de Olinda dançam e ganham vida nas ladeiras, os irreverentes blocos de Olinda, como: “A porta”, “A corda”, “Segura o talo”, “Enquanto isso na sala de justiça”, “Eu acho é pouco”, “Batutas de são José”, “Madeira do rosarinho”, “O elefante”, “Siri na lata”, “Bloco da saudade” e tantos outros que se formam todos os anos, isso durante os 3 dias de carnaval, na quarta feira de cinzas e dia do mais que tradicional “Bacalhau do batata”, onde os foliões se reclamam cantando:  “Ó quarta-feira ingrata, chega tão depressa, só pra contrariar”, sempre nó ritmo do frevo.

 

            As mesmas pessoas fantasiadas que subiam e desciam ladeira atrás das orquestras em Olinda vão ao Recife antigo à noite e a festa continua como se o mundo fosse acabar no final do carnaval.

 

            Pernambuco ainda tem mais, Tem papangus da cidade de bonito, que são foliões mascarados que saem dançando e comendo angu pelas casa onde passam, tem maracatu de baque solto com seus caboclos de lança enfeitados de fitas multicoloridas vindo direto do canavial e a noite dos tambores silenciosos que é uma cerimônia de origem africana que reúne varias nações de maracatus de baque virados e tem o lirismo do frevo canção.


            O carnaval pernambucano tem cultura que é também a minha, tem um povo apaixonado, tem alegria, e eu, sou alguém que tem saudade.

         

             



Bjus.

16 de fev de 2012

Frevos e frevanças II


MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI

Madeiras do Rosarinho
Vem à cidade sua fama mostrar,
E traz com seu pessoal                    
Seu estandarte tão original,
Não vem pra fazer barulho
Vem só dizer que, com satisfação,
Queiram ou não queiram os juízes,
O nosso bloco é de fato campeão.
E que aqui estamos
cantando esta canção,
Viemos defender a nossa tradição,
E dizer bem alto 
que a injustiça dói,
Que somos madeira
De lei que o cupim não rói.
(Capiba)

LINDA FLOR DA MADRUGADA

Mandei fazer um buquê pra minha amada,
Mas sendo ele de bonina disfarçada
Com o brilho da estrela matutina,
Adeus, menina, linda flor da madrugada.
Tem cravo, tem rosas bonitas
E boninas disfarçadas
Mas se minha amada não quiser o buquê
Eu faço presente a você.
Mandei fazer um buquê... 
(Capiba)

HINO DOS BATUTAS DE SÃO JOSÉ

Eu quero entrar na folia, meu bem,
Você sabe lá o que é isso,
Batutas de São José
isso é parece que tem feitiço...
Batutas tem atração
Que ninguém pode resistir,
Um frevo desses que faz
Demais a gente se distinguir...
Deixa o frevo rolar,
Eu só quero saber
Se você vai ficar,
Ai meu bem sem você
Não há carnaval,
Vamos cair no passo
E a vida gozar.



(João Santiago)



FREVO Nº 2

Ai que saudade vem do meu Recife,
Da minha gente que ficou por lá
Quando eu pensava, chorava, falava
Dizia bobagem, marcava viagem, 
Mas nem resolvia se ia...
Vou me embora,
Vou me embora,
Vou me embora pra lá...
Mas tem que ser depressa
Tem que ser pra já,
Eu quero sem demora
O que ficou por lá,
Vou ver a Rua Nova,
Imperatriz, Imperador,
Vou ver, se for possível,
meu amor...
(Antônio Maria)

VOLTEI RECIFE


Voltei, Recife, 
Foi a saudade que me trouxe pelo braço,
Quero ver novamente,
Vassoura na rua abafando
Tomar umas e outras e cair no passo.
Cadê Toureiros? Cadê Bola de Ouro?
As Pás, os Lenhadores,
O Bloco Batutas de São José?
Quero sentir a embriaguez do frevo,
Que entra na cabeça, depois toma o corpo
E acaba no pé...
(Luiz Bandeira)

Diabo Louro


Um diabo louro faiscou na minha frente
Com cara de gente, bonita demais
Chegou de bobeira marcando zoeira no meio da praça
Quebrando vidraças isso não se faz
Foi paranóico, fantástico, mágico
Me fez sedento, atento, elástico,
Chegou rasgando pisando, chicletizando total
Que loura bonita fazendo o diabo no meu carnaval.
(Alceu Valença)
Bjus.

Frevos e frevanças I

          Músicas que tocam em meu coração nesses dias de folia. Um carnaval sem abadá e sem sambódromo, mas com muitas fantasias, ladeiras e alegria.

Elefante

Ao som dos clarins de Momo
O povo aclama com todo ardor
O Elefante exaltando a suas tradições
E também seu esplendor
Olinda esse meu canto 
Foi inspirado em teu louvor
Entre confetes e serpentinas
Venho te oferecer
Com alegria o meu amor
Olinda! Quero cantar a ti esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar
Em Olinda sem igual
Salve o teu Carnaval! 
(Clídio Nigro e Clóvis Vieira)

Voltei Recife

Voltei, Recife
Foi a saudade
Que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente "Vassoura"
Na rua abafando
Tomar umas e outras
E cair no passo
Cadê "Toureiros"?
Cadê "Bola de Ouro"?
As "pás", os "lenhadores"
O "Bloco Batutas de São José"?
Quero sentir
A embriaguez do frevo
Que entra na cabeça
Depois toma o corpo
E acaba no pé.
(Capiba)

Chego Já

Eu já chamei você
Você não quis brincar
Pode bater o pé
Pode ficar
O Elefante já vem
Descendo o Amparo, meu bem
E aquela Cobra que sobe
A ladeira com gosto de gás
O Elefante já vem
E Eu Acho é Pouco, meu bem
Segura a Coisa com muito cuidado
Que eu chego já
Segura a Coisa
Que o Chapéu de Bode
Passou desgarrado
Atrás do feitiço
Cheirando a pecado
É com essa menina bonita
Que eu vou
O Elefante já vem
Eu Acho é Pouco, meu bem
Segura a Coisa com muito cuidado
Que eu chego já
Segura a Coisa com muito cuidado
Pra não se queimar.
(Alceu Valença)

CALA BOCA MENINO
Sempre ouvi dizer
Que numa mulher
Não se bate 
Nem com uma flor,
Loura ou morena
Não importa a cor,
Não se bate
Nem com uma flor...
Já se acabou o tempo
Que a mulher só dizia então,
Xô galinha, cala a boca menino,
Ai, ai, não me dê mais não...
(Capiba)

OH! BELA
Você diz que ela é bela,
Ela é bela, sim, senhor,
Porém poderia ser mais bela 
Se ela tivesse meu amor, meu amor.
Bela é toda a natureza, ô bela,
Bela é tudo que é belo, ô bela,
O sorriso da criança,
O perfume de uma rosa,
O que fica na lembrança.
Belo é ver o passarinho, ô bela,
Indo em busca do seu ninho, ô bela.
Todo mundo se amando
Com amor e com carinho
Uns sorrindo outros chorando
De amor.
(Capiba) 

EVOCAÇÃO Nº 1

Felinto, Pedro Salgado
Guilherme, Fenelon
Cadê teus blocos famosos?
“Blocos das Flores”, “Andaluzas”
“Pirilampos”, “Apôis Fum”
Dos carnavais saudosos?!!
Na alta madrugada o coro entoava
Do bloco a “Marcha-Regresso”
Que era o sucesso dos tempos ideais
Do velho Raul Moraes.
Adeus, adeus, minha gente,
Que já cantamos bastante.
E Recife adormecia
Ficava a sonhar
Ao som da triste melodia.
(Nelson Ferreira)

Bjus




11 de fev de 2012

Enquanto isso, no curso de inglês


             Faço inglês há tanto tempo que nem me lembro quando comecei, e é sempre a mesma coisa, começo o curso e paro... passo um tempo... vou pra outro curso... começo e paro. Um eterno ciclo sem fim. Pra dizer a verdade, não gosto de estudar inglês, “faço por que é o jeito”, mas já decidi que dessa vez só paro quando terminar todos os módulos.
                Mesmo com a decisão de ir até o fim do curso dessa vez, longe de mim, ser uma aluna exemplar (não me orgulho disso, OK), sempre dou um jeitinho de faltar de vez em sempre, só faço os exercícios na véspera da aula e estudo muito pouco. Desde que comecei esse curso, nunca fui para a primeira aula, sempre apareço depois.
 Porém, ano novo, vida nova. Entre minhas infames promessas de final de ano que foram: economizar, parar de comprar bugigangas, ser uma pessoa melhor, me reeducar alimentarmente e me dedicar mais ao inglês.
Pois é, prometi me dedicar ao inglês e não posso me dar por vencida sem tentar. Marquei na minha agenda a data do início das aulas e ainda guardei o papelzinho que a secretária do curso escreveu, e decidi:  vou começar com o pé direito, vou ao primeiro dia de aula! Cheguei terça feira, depois de um dia cansativo em casa, tomei meu banho e me aprontei com uma preguiça do cão para o inglês, comecei a ler um livro o livro tava ótimo, ia passar um episódio inédito de the big bang theory, resumo da ópera: sai me arrastando de casa, mais fui, em cima da hora, mais fui, como uma verdadeira mártir. Cheguei ao inglês toda esbafurida pelo calor, não tinha mais nenhum aluno na recepção. Perguntei toda me achando para a secretária onde era minha sala (tinha o direito de estar me achando, afinal fui ao primeiro dia de aula), nisso um professor que estava na recepção começou a rir, a secretária com um risinho diz: as aulas só começam dia 6 de MARÇO. Não eu tinha certeza que era em fevereiro e ainda argumentei que deviam ter me dado a data errada sem querer. Ainda munida de toda a certeza e dignidade (afinal, não sou tão louca ao ponto de confundir os meses) pego minha agenda e vou procurar o papel com a data de início escrito pela secretária, achei e quando olho tá escrito lá: início 06/03/2012. Peguei o papel e minha dignidade coloquei de volta na agenda e disse: até o mês que vem! E sai.
Quem disse que nesse ano não vou me dedicar ao inglês?
Bjus.

10 de fev de 2012

Bullying solar

               Depois de tempos sem aparecer e muitos pensamentos perdidos, eu estou de volta. Bom a demora em escrever se deve ao fim de ano e a visita de minha irmã.
               Final de ano foi tranqüilo, mas como fiquei em casa comecei a planejar uma comemoraçãozinha, a ceia, e como boa louca que sou, fico tempos pensando, programando e reprogramado tudo. Segundo o marido sou uma verdadeira Monica Geller (aquela do seriado friends), compulsiva ao extremo. Vou contar um exemplo, desde que cheguei ao laboratório que desenvolvo meu projeto de pesquisa, já fizemos várias comemorações, e todas as que organizei, eu passei horas pensando na decoração, horas tentando delegar trabalho as pessoas e horas refazendo o trabalho que havia delegado aos outros. Por que? Porque sou completamente neurótica... Doida varrida pra baixo do tapete. Normalmente, sou de fácil convívio e as meninas (do laboratório) costumam dizer que é difícil me irritar, mas em épocas de organização de festas, viro um monstro, grito, bato o pé, dou ordens e as coisas só são feitas sobre a minha supervisão, todos dizem que viro um mostro, estou tentando melhorar.
               O outro motivo da longa ausência foi que desde dezembro minha irmã estava aqui no Rio comigo, e como nos vemos pouco estava aproveitando sua companhia, e aproveitando para pegar no pé dela, afinal as irmãs mais novas servem pra isso também... Para enchermos a paciência delas... E nos divertimos a custa disso. Beijos Maria, eu te amo e já estou com saudades.
               Depois que as coisas voltaram à santa normalidade, o verão no Rio de Janeiro voltou também à normalidade, ou seja, um calor de 40 e tantos graus. Eu sou calorenta, vivo em uma eterna menopausa como dizem os que me conhecem, estava até animadinha com esse verão, havia dias quentes, mas nada que me fizesse derreter. Eu tava até cantando de galo... Mas, eis que essa semana o calor se instaurou e eu tô aqui morrendo “esbaforida”. E nem adianta comentar que eu venho de Pernambuco, que fica no Nordeste,( pelamor nada de norte, odeio quando dizem que sou do norte, as vezes, tenho vontade de dar de presente mapas do Brasil pra um monte de gente) e que lá é quente e tudo mais... Sei de tudo isso, porém lá tem mais vento e não é tão abafado quanto aqui, vivo repetindo isso e recebendo olhares de reprovação, olhares que querem dizer: “você bebeu ou é maluca assim naturalmente?” Outros vêm com a seguinte legenda: “coitadinha ficou no sol muito tempo mesmo, fritou até os miolos... pensa que Pernambuco fica na Europa”. Mas, o que posso fazer? Acreditem, lá não é tão quente.
               Eu e o sol não morremos de amores um pelo outro, na verdade apenas nos respeitamos, ou melhor, eu respeito ele, pois, ele nem “tchuin” pra mim. Sofro com sua eterna perseguição, sofro um eterno “Bullying solar”. Sou aquele tipo de branquela meio amarelada, e isso já me rendeu até o apelido de amarelinha, colocado por um amigo. Para manter meu tom pálido meio vampiro (que graças a serie crepúsculo entrou na moda) durante o verão, evito sair ao sol (sou daqueles vampiros antigos, os que queimam quando entram em contato com os raios solares, nada daqueles modernos e fashion que brilham na luz do sol), uso boné, óculos, ando pela sombra e abuso com quilos e quilos de protetor solar. Mesmo assim o sol, como bom predador, sempre que me pega distraída (o que se tratando de mim, é bem fácil) apronta comigo. Posso citar como exemplos: já queimei os lóbulos das orelhas por não passar protetor solar na praia, agora eu pergunto: quem lembra de passar  protetor solar nas orelhas? E descascou e tudo. Já perdi a conta das vezes em que fiquei com marca de roupas: camisetas, shorts, sapatilhas e bonés. Já queimei apenas um lado do corpo por ficar em uma janela onde o sol batia em um carro ou ônibus. Já fiquei marcas de mãos brancas nas pernas e o restante vermelha, por descuido passei a mão de protetor solar na perna, e esqueci que elas queimam, e muito. Já atropelei sacos de lixo na minha procura incessante por uma sobra nas calçadas. Enfim, já passei por tudo. E sei que lá de cima o sol tá rindo de mim, como um sádico.
Depois de uma semana sob o domínio de um sol escaldante, estou toda cheia de brotoejas, com as bochechas vermelhas no melhor estilo Picachu e com incontinência urinaria, uma vez que estou bebendo liquido feito um camelo para tentar me manter hidratada, por isso... FRENTE FRIA, CADÊ VOCÊ????
                Embora corra o risco de morrer linchada, uma vez que a letra da música é verdadeira e:  “cariocas não gostam de dias nublados”, estou contando os dias para a chegada do outono.
Bjus.

3 de dez de 2011

Nota de falecimento

Gostaria de comunicar o falecimento, para minha alegria, do pisca-pisca musical do mala do meu vizinho(a), pois é, ele partiu assim de repente, estava lá por volta das dez da noite, com sua música natalina rouca, quanto eu me refugiei no quanto para parar de escutá-lo, não sei a que horas ele partiu (para não deixar saudades), mais hoje quando acordei e pensei em sair do quarto e ser torturada por aquele OBJETO DO MAL, eis que eu escuto...nada...absolutamente nada. Pra minha alegria ele deve ter morrido, porque o (a) mala não deve te tido uma crise de consciência e pensado que estava incomodando todo o prédio.
Hoje voltei ao normal, meus ímpetos psicopatas homicidas foram-se com aquela música desafinada. Tinha tomado a decisão de começar a cometer atentados a fim de parar com aquela zuada dos infernos, droga, agora terei que guardar os coquetéis molotovs para outra oportunidade.
Para você pisca-pisca musical: “Volta pro mar oferenda” .